Eis aqui palavras nuas, despidas de qualquer censura, despidas de quaisquer pudores: palavras-retrato de uma jornada intensa pelo mundo dos que sonham... PaLAVRAS que lavram o solo da alma de quem vê a lua nua, seja noite, seja dia.
19 de março de 2014
Plantei esperanças em meus solos etéreos
têm nascido trevos de quatro folhas
verdinhos,
saltitantes...
Não são vistos a olhos nus,
apenas se mostram aos olhos da alma,
frutificam no cotidiano das ilusões que insisto em não perder...
e não os colho,
apenas rego:
ora com lágrimas sentidas,
ora com lágrimas queridas...
Não caminho por cima deles,
deixo-os sobre mim...
Eles têm sóis eternos, cujos raios iluminam minhas querências,
douram-me,
aquecem...
raios que penetram as frestas entre as sombras que também me habitam...
Os trevos me dissolvem as trevas,
trazem infinitos pelas frestas,
acalmam, ainda que etéreos,
são o que tenho de mais sólido...
o solo dentro do qual brotam eternos trevos
de quatro verdes folhas...
14 de março de 2014
Da primeira vez foi só um pedacinho, ínfimo, quase nem doeu... foi susto, relevou... acontece, pensou...
Da segunda vez, abriu um corte, sangrou... isso sara, relevou...
E assim seguiu, até que um dia, não tinha mais onde rasgar, era inteira exposta, fraturas de coisas irrelevantes... Nada nela estava no lugar... explosão de troços desconjuntados, culpados e cacos mal colados...
Tentou juntar-se, remendar-se... não dava mais... nada se encaixava em parte alguma... perdeu-se de tanto relevar...
Não foi a gota que faltava... foi a primeira gota que passou relevada...
Tentou juntar-se, remendar-se... não dava mais... nada se encaixava em parte alguma... perdeu-se de tanto relevar...
Não foi a gota que faltava... foi a primeira gota que passou relevada...
E foi subindo a rua, subindo, tentando nem olhar para trás,
medo de voltar ao ponto de partida... subia incessante, quase incansável, mas
dentro algo não subia com ela... a cada passo, ia e algo ficava... e misturava
bagagens, levezas e pesos... à medida que avançava, a cabeça pesava de memórias
inteiras, latentes, dormentes...
Subia determinada, subia para vencer-se a si, ia, ia... se
doía, dava logo um jeito de deixar pelo caminho o que mais lhe pesava...
largava mais um obstáculo no avanço que mirava... um erro aqui, uma má escolha
ali, uma dor acolá... fora, fora, fora... que ficassem fora das memórias que
elegia carregar agora...
Subia intensa, buscando olhar além, porém... sabia que o que
a empurrava rua acima era a mesma força que a sacudia a olhar para baixo e
voltar... a rua longa, tinha exata metragem do tempo de vida que ela tinha...
subia, ia... sabia... avante, adiante... soltando pedaços inertes de lembranças
débeis atrás de si, agarrando-se intensa às lembranças boas que sustentavam
seus passos... firmes e lentos, fortes e fracos, novos e gastos, novos e tão
velhos e novos e velhos...
Quando chegou ao destino mirado, percebeu que havia mais...
o fim era só o começo... era preciso continuar... a subida não mais era tão
íngreme, mas era íngreme o suficiente para não ser mais como era a outra que
subira até aquele instante... e.... antes de avançar incessante, incansável...
o inevitável: virou-se para o que deixara para trás... jogara fora enquanto
subia, o que enfim fizera ou restara, restaria? Virou-se lenta, lenta, isenta,
isenta, lenta... e vislumbrou-se! A perder de vista, a rua pela qual viera,
escura pelas lembranças e feridas, colorida estava, florida era, ela plantara
cores nas dores dos amores perdidos e nas tentativas vãs, nos afãs dos amanhãs
que não vieram como eram... se aquilo fosse sonho, já valera...
Retomou sua subida... refeita, quase embebida em si...
surpresa sem ferida... plantara flores e plantaria vida em sua vida a cada novo
passo da subida erguida... agora entendia, o que ficava e o que viria, o que
deixava, sangrava e floria...
12 de março de 2014
Depende da aquisição...
O preço é a liberdade
O preço é a opção
O preço é dizer o sim
O preço é dizer o não...
O preço é alto ou baixo
Depende do que se quer
O preço é abrir a mão
O preço é menor que a fé
O preço permite o topo
O preço esmaga o corpo
O preço é definido
O preço é infinito...
O preço eleva o tempo
O preço releva a dor
O preço afoga o lento
O preço esvazia a cor
O preço colore a alma
do que compreende o preço
do apreço que o preço dá
ao que paga o preço inteiro
tentando se harmonizar
O preço é a resposta
de quem ousa perguntar
O preço que apaga a mágoa
O preço devolve a paga
a quem se permite amar
O preço é equivalente
O preço é desigual
O preço faz tanto bem
O preço faz tanto mal...
10 de março de 2014
Caminho mais longo é esse
o que percorro dentro
Ando por mim há tempos,
rápido ou lento
Um vento...
ou furacão,
Mudam-me a direção,
o pensamento...
Jornada infinda,
tenho milhares de quilômetros intensos,
paisagens velhas e novas a todo momento...
Desertos e oásis residindo unos
em meus olhos ímpares...
Entre risos ou dores,
vejo...
E o mesmo não é mais o mesmo...
E o outro não é mais que o mesmo outro além do mesmo
Meu universo é pleno,
divide-se em polos não opostos antitéticos entre si...
É tudo e nada
Pouco e muito
mas é junto
Eu sigo comigo...
Às vezes, quanto mais corro, mais longe fico
Não me alcanço...
Nem canso..
Eu busco...
E repouso serena na espera
de encontrar-me um dia,
assim,
dentro de mim...
10 de agosto de 2013
Gigantes são as coisas
que pensamos conhecer
diante de nosso deslumbrar...
O tempo, amigo e tirano,
vem com o dever de ensinar
E as arestas que vemos
têm a função de açoitar...
Aparam-se às vezes sozinhas,
custa-se a acreditar...
e o que era gigante
diminuto passa a ficar...
A verdade desnuda as pessoas,
Tira-nos a inocência...
A verdade dança a dança da dor...
Enterrei o meu gigante
lá no quintal do amor...
enroladinho em algodão
pra ver se brota feijão
me deslumbrando outra vez...
Meu gigante
era bem menor
que eu...
31 de maio de 2013
Existe sim, porque consigo ver e tocar
Tem forma,
Tem cheiro, tem cor...
Existe vivo e tão intenso
que me faz crer e faz viver
É o que acorda quando quer vir o adormecer da alma
Segredo
Anjo
Humano?
Impossível descrever...
Corresponde aos meus apelos
mas
ao tocá-lo
dilui-se feito perfume em meus cabelos...
Se existe?
Sinto,
em algum lugar ou em algum tempo...
Talvez caminhemos lado a lado
em planos etéreos diferentes
pois também sinto seu respirar perto
em mim...
e não nos vemos
e nos tocamos
de alguma forma
acalentamos nossos anseios...
coração em mesmo passo...
Dar-se-á no abraço em laço?
Enlaçando a espera, pondo-a finita?
Quem pode saber?
Quem pode saber?
25 de abril de 2013
Quantas vezes
dividia os pedaços
para somar algo de si
no diminuir do dia?
Perguntava
e a si mesma respondia...
Apostava
e de si mesma perdia...
Enxergava
e nem assim se via...
Quantas vezes
esperava sabendo que nada viria?
Escrevia
ciente de que ninguém lia...
Soprava forte
mas a vida não enchia...
Seguia...
Passos largos
Passos curtos
Espaços em branco
Turvos...
A cada ausência de respostas
um pedaço de si ficava
Na beira da estrada
largada
semente plantada...
Um dia
sabia
colher-se-ia a si
Pedaços de desilusões
floresceriam canções
ou poemas
Adornariam a estrada
para as outras jornadas...
E avante
caminhava
radiante ou magoada
nem importava...
A história se escrevia
e só por isso
já valia...
Às vezes
divisões
somas ou multiplicações
são formas únicas
de a deixar um todo inteiro...
24 de abril de 2013
O infinito existe
Sempre que uso olhos infantis diante da vida
Enxergo bolhas coloridas
A cada aprendizado oriundo de uma mentira...
O infinito existe
Sempre que dou a mão para a criança que me reside
E a deixo me conduzir
Para o alto dos montes
E lá de cima me faz enxergar meus sonhos
Planta-os de novo
Como eu fazia
E ela ainda faz....
O infinito existe
Na eternidade do sorriso puro
Nos olhos que abrigam esperanças
Nos corações que escondem medos
E escolhem a curiosidade das infindas descobertas positivas...
O infinito existe na lembrança de fazer um laço
Aprendendo a amarrar o cadarço do sapato em cada passo
E esse simples gesto
Dando a sensação de autonomia...
Na geografia que namora o tempo
E eterniza tudo o que aprendi um dia
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