25 de junho de 2011

Denso...


Um encontro
Único... feito mergulho num mar de águas profundas...
Forte, perigoso e esperado
Como se fosse a maior vivência de amor possível...
Mar profundo...
Tudo intenso, tudo repleto de um ar em suspenso,
 sempre...
Nadar contra marés,
Desafiar cardumes inteiros de anseios e dores
Mar profundo
Coragem exposta... mergulho no vazio tão cheio, tão pleno...
Sem fim... sem fim.. imantado
Atração inexplicável...
Mar denso
O melhor fôlego ausente,
Paradoxo entre vida e morte a cada instante
Intenso instante
Eterno instante
Adeus constante
No infinito encontro
Mar adentro
Âmago de dois
em um
E nada após...
Mar imenso

22 de abril de 2011

As outras...

E ela resolveu mudar o rosto
ficar diferente,
talvez atraente
ver se virava um imã...
...Mudou várias vezes
e quase não mais se via em si...
Realçava os olhos
que já há muito a verdade não viam...
Realçava a boca
que há tempos
não dizia de si...
Era um jeito artífice
de fazer dela
uma isca
pra quem sabe ser notada..
E foi se modelando
ao que julgava que ele queria
E mudava sempre
porque ele sempre mudava
E ela se buscava:
Onde mais podia,
o que mais devia
refazer em si?
Trocou de cabelo,
trocou de estilo
Apelou pra tudo
E ficou sem nada...
Quanto mais mudava
menos era vista
E nem ela mesma
mais se encontrava....
Porque na verdade
sua face oculta,
íntima em seu peito
o que ela era,
sua essência pura
nessa sua loucura
ela não mudara...
Ela era sempre
O que sempre fora
Só ela não via
o quanto era bela
sendo ela
sendo ela

8 de março de 2011

Visita...


Deitada no escuro da minha noite solitária, pensei em quanto tempo não via vagalumes... Bichinhos tão faiscantes, reinantes na minha infância recheada de diversão... Onde estão os vagalumes? Luzindo em nossas ternas brincadeiras de criança,
eram jóias pirilampescas em nosso baú de descobertas...
Eis que de repente, adentra por minha janela aberta, vindo de lá do meio da enevoada insônia, trazido sabe-se lá por que caminhos, ele, o vagalume... indiscretamente invadindo meu quarto protetor de todos os meus secretos receios...
Estática sobre minha cama, puxei as cobertas até o meio de meu rosto, olhando o pisca-pisca vivo diante de mim, num balé desenfreado, de coisa que está perdida, procurando, em frêmitos, a saída... Vagalumes... eu tinha vaga lembrança de seu encanto... visto por meus olhos àquela época longínqua, eram estrelas bailantes diante de nós...
Vagalumes... vagas lembranças dos quintais infindos, em que a gente alcançava o céu durante expedições destemidas por terrenos do etéreo...
Ali, na minha cama, vendo-o hoje perdido em tropeços luminosos frente a minha adultice inerte, eu tive medo... (e se ele se emaranhasse em meus cabelos?? Eu que já o coloquei nas mãos, fechadas em conchas, como se a noite estrelada estivesse dentro de mim...) eu o vi feito um bicho, ofuscando meu desejo de dormir sem recordações... Ele encontrou a janela por onde entrara e partiu galopante rumo ao céu sem estrelas... Fixei o escuro lá de fora, esperando-o voltar... Então eles ainda voam por aí? Vagalumes... vagos lumes de quando eu descobria o mundo...

Subliminar


Diante do fato
mato, enfim
a inocência em mim
E passo a crer
que há dois lados
da moeda
do bem
e do mal querer
Mas criança que sou
esqueço a dor e o choque
E volto ao jardim
pra colher flores,
não vendo os perigos
Só vendo ilusões
Nem percebo os abismos
Só procuro sinais
de vida
pra continuar brincando
nos castelos erguidos
tijolo por tijolo
cimentados nas promessas...

12 de fevereiro de 2011

Tunéis em mim...


               Quando as formigas formigaram meus pensamentos, vi que realizaria grandes coisas... Formigas fazem enormes caminhos onde impenetráveis obstáculos atravancam passagens... o formigar exige ação...feito pernas que formigam pedindo o levante, o andar, o sacolejar; feito braços, feito tudo, feito espantar as formigas que saem por toda parte e como vêm, vão... formigas são presságios de construção em mim, de mim, pra mim... Grande que sou, formigas fazem mais... grande que sou formiga em mim a idéia de ir abrindo trilhas feito formigas... trilhas de atitudes, verdadeiras fortalezas onde se esconde vida em todo vácuo... formigando irei... rainha da galeria da construção da minha história...

Brisas...


E na vida leve,
lave a alma
palma e senda
estenda a calma
e leve e eleve
e releve
Assim se faz
o olhar deslumbre
antes que o leve
lave o tempo
que se tem
pra sentir o breve instante
de sorrir...

22 de janeiro de 2011

Plenos


No abraço inteiro que nos damos
alcançamos o mundo além de nós
Viagem absoluta
ao encanto necessário
que mantém vida dentro e fora
da nossa eternidade...
Que não peçam explicações!
Quem disse que é necessário explicar o amor?
Olhos diversos não podem jamais enxergar a mesma paisagem...
Mas nossos olhos, um na alma do outro
enxergam a promessa que fizemos
antes de aqui nascermos:
Sou seu anjo
És minhas asas...
Só unos alçamos o vôo da restauração...

14 de janeiro de 2011

Artigo de luxo...


Por que não vendem nas prateleiras
chás de ser feliz a vida inteira?
Só tem os de cidreira
camomila e melissa...
O que acalma aos sedentos
é alegria coada
em carrosséis azuis
verdes e amarelos...
Chás de paz por dentro
desembolorando
corações mofados...
Chás de almofadas
pra almas coloridas
pelos tombos desbotadas
descansarem serenas
pelos chás apaziguadas...

13 de janeiro de 2011

Tênue


Somos todos seres
Sonhadores
Caçadores
Seres somente são sãos
Se assim o forem...
Sãos na loucura pessoal
Inculcada em cada nó de nós
Sãos da sobriedade intacta
Volátil diante de formulação exata
Inexiste exatidão nos insanos sãos que somos
E somem em nossos próprios desvãos
Desejos ocultos
Olhares cegos em nossos íntimos desvelos
De sermos
Nada sãos...
E se se mensura a loucura?
Ela é pura
Ela é crua
Ela é nua
Ela é minha
E também é sua...
Mensura-se a loucura
Pelo livre que ela surge
E torna sãos
Os que loucos pouco são
Não se atravessa a rua
Onde residem tão íntimas
Sanidade
E loucura...

6 de janeiro de 2011

Fio da meada...


Procuro a ponta exata
do fio dessa meada
que desembolará o novelo
com desvelo e com paixão
A ponta dessa sina
levada a ferro e fogo
desnorteando a trilha
pondo marcha ré a cada lance do jogo...
Procuro a ponta exata
do fio dessa meada
que atrapalha os alinhavos
e entrava a fluidez
Insensatez fiel
do cego amor cruel
que sutura pontos profundos
na alma sem calma alguma
e ruma sem rumo decente
descrente
sem lentes reais,
apenas focos letais
eliminando vestígios das crenças necessárias
ao broto sedento de vida...
Se há ponta no fio
dessa meada perdida
é possível que ao puxá-lo
desenrole o desconexo
e ainda haja tempo
no descuido vão momento
de terminar a contento
a partitura dessa melodia
pra tocar a vida em frente...