É preciso ao poeta
fazer poesia
todo santo dia
porque todo dia é santo
e, todo poeta, um canto
de louvação ao sagrado que há no verso
ao reverso da nossa dor...
Verso é o nome do amor,
estrela cadente
na rima dançante
da asa do anjo que a gente se torna
quando escreve com a pena da alma
leve, pousante na lua,
no brilho da rua,
no longe que há entre mim e o mar...
entre o sim e o riso...
entre a entrega e o perigo...
É preciso fazer poesia
todo santo dia...
Navegar nesse idílio inefável
que une o poeta ao universo inteiro
que une o meu laço
ao nó do eterno que há em todo ser que ama
que canta
e se encanta por estar rimando
a cadência do respirar
com o dom de ver
e enxergar...
com o cio de ser passível de amor
e assim amar...


