1 de novembro de 2010

Paisagem...


Estar à margem,
só se for de curso d’água
Vendo-a fluir pra onde tem de ir
Fluindo certeira
Abrindo a clareira do que há de ser...
Ando é à margem de mim
E me vejo partir
Sem ser rio
Sem ser lago
Sem ser mar...
Jogo às vezes as redes
E não me alcanço
À margem estou de mim
À margem do que fui
Do que achei que seria
À margem ficam resíduos
Vestígios do que um dia ali se passou...
À margem param os densos pedaços lentos
Meus pedaços mais intensos
estão à margem de mim...
E olho-os seguirem assim
Sem saber onde é o fim...
Anoitece à margem
E não há lanternas
nem vagalumes
tentando mostrar a aurora...
À margem é o tanto faz
Apenas restos do que foi um dia o todo:
Risos fáceis
Esperanças
Sonhos loucos
Trajetórias impossíveis
Utopias sensíveis
Plausíveis...
Estão à margem comigo,
Vendo indiferentemente os cacos
Sem esboçar desejo de guardá-los...
Sempre gostei das margens
onde vislumbrava águas cristalinas
trilhando purpurinas ao sol...
Hoje estou à margem
E não vejo sequer o outro lado
e não sei
em que outra margem chegarei,
antes que tudo se alague,
antes que eu esteja definitivamente no mangue...

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